O primeiro Smartphone a gente nunca esquece… (3/3)
Na terceira e última parte deste (longo) post, iremos analisar critérios finais para a decisão de compra de seu novos Smartphone.
(veja a segunda parte deste post)
Processador
Assim como nos PCs, os Smartphones possuem uma série de processadores que indicam níveis de performance diferentes. Atualmente o mercado é dominado por 4 fabricantes: Intel (com o Intel Xscale / PXA), Samsung, Texas Instruments (com o processador OMAP) e Qualcomm (com a série MSM 7xxx). Saber qual é o melhor entre eles não é tarefa fácil: os testes comparativos entre eles disponíveis na Internet são poucos e um tanto amadores, assim ainda estou realizando uma pesquisa para disponibilizar um benchmarking adequado.
Então como escolher? Infelizmente minhas decisões são baseadas apenas em duas características: clock e geração.
O clock determina a velocidade do processador. Assim, um processador de clock 312Mhz terá uma performance pior que o de 400Mhz – isto não é regra e valeria, efetivamente, apenas para processadores de uma mesma marca e série. Contudo, vale lembrar que um clock maior determina também um maior consumo de bateria.
A geração do processador (data em que foi lançado) em geral determina uma melhor performance. Claro: quanto mais novo, a tendência é de possuir tecnologias melhores que otimizam performance e diminuem consumo de bateria.
O principal motivo de eu alegar que esta não é uma regra totalmente válida, está no problema dos processadores Qualcomm da família 7200. Estes processadores estão em celulares high-end como o HTC Tytn II, HTC Touch Cruise e os novos HTC Touch. É um processador baseado na arquitetura ARM-11 (geração mais nova), com 400Mhz de clock e dois núcleos (para processamento paralelo). Contudo, apesar de o mesmo ter sido otimizado para acelerar gráficos 3D nos Smartphones, ele possui um gravíssimo problema no processamento gráfico que gera uma performance inadequada nos gráficos 3D e praticamente impossibilita a visualização de filmes no Smartphone que tenham sido gravados com resolução superior à QVGA. Abaixo, um vídeo que encontrei comparando um Smartphone com um processador de uma geração anterior (Intel Xscale) contra o novo Qualcomm.
Acreditem: a diferença de 16Mhz de clock não é a responsável por esta diferença de qualidade. Há inclusive uma petição on-line sobre este problema, contudo a solução está longe de ser encontrada visto que está em nível de hardware e não de drivers.
Quantidade de Memória
Isso você já sabe por que vem dos PCs: memória é fundamental!
OS Smartphones possuem dois tipos de memória: memória ROM (Read Only Memory) e memória RAM (Random Access Memory). A ROM é uma memória típica de armazenamento: dados lá gravados não necessitam de energia para permanecerem armazenados, ou seja: mesmo que acabar a bateria do seu Smartphone, seus dados estarão seguros lá. Ou seja: todos os dados (contatos, calendário, notas, etc.) que você armazena e todos os aplicativos que você instala no aparelho têm como destino a ROM. A RAM possui acesso mais rápido mas precisa de energia para manter os dados gravados.
E por que os fabricantes não utilizam apenas memória ROM? Simples: a memória do tipo ROM não possui uma velocidade de gravação e leitura satisfatória para a execução de programas, desta forma, quando você inicia um aplicativo instalado (na memória ROM) em seu Smartphone, ele é carregado para a RAM e executado a partir dela.
Este conceito é completamente válido para Smartphones rodando sistemas operacionais a partir do Windows Mobile 5.0 (possui o Persistent Storage). Sistemas operacionais anteriores não possuíam o Persistent Storage e tinham toda a informação armazenada diretamente na RAM. Apesar de seu desempenho ser ligeiramente melhor, quando a bateria atingia um determinado nível, o sistema operacional se desligava para poder manter os dados armazenados na RAM por um período que variava de 8 a 72 horas (conforme versão do aparelho). Resultado: não se utilizava toda a bateria e corria-se o risco de perder as informações.
Expansão de Memória
A capacidade de memória adicional (ou cartões de expansão) é primordial. Se hoje você possui um celular convencional e não acha que precisará mais do que uns 512 MB de memória, prepare-se: a capacidade de carregar filmes e músicas para serem tocados no Windows Media Player Mobile; jogos dos mais diversos e programas com as mais variadas funções vão acabar rapidamente com a memória padrão existente no aparelho.
A expansão de memória é realizada através do uso de cartões de expansão do tipo MiniSD e MicroSD (Transflash). Quanto aos MiniSD, são cartões pequenos (maiores que os MicroSD) e possuem são encontrados em versões de 1GB a 2GB. Os cartões MicroSD estão se tornando padrão dos celulares (exceto os Sony Ericsson que utilizam o MemoryStick) e estão disponíveis em versões de 1GB, 2Gb, 4Gb, 8Gb e ainda (raros) 16GB. Importante notar que cartões de 4GB para cima, utilizam a tecnologia SDHC e o smartphone precisa ter suporte a ela para realizar a leitura do cartão. Dê preferência ao padrão MicroSD já que ele tem sido mais desenvolvido e está presente na maior parte dos celulares.

Os cartões de memória MicroSD e MiniSD
Mais três coisas que você deve saber sobre a expansão de memória:
- Os cartões de memória são memória do tipo FlashROM, ou seja: uma vez que tenham sido gravas informações nele, mesmo que acabe a bateria do aparelho, elas estarão “seguras”;
- Alguns celulares disponibilizaram uma quantidade de memória fixa no lugar da possibilidade de uso dos cartões, à exemplo do HTC Touch Diamond que vem com 4GB de memória interna;
- Os Smartphones rodando Windows Mobile 6, podem ser utilizados como “pendrive” – há uma configuração que permite sua conexão por cabo USB de modo que o Windows entenda o aparelho como uma “Unidade de Armazenamento Externo” e acesse diretamente o cartão de memória para gravação de arquivos.
Conectores
É interessante verificar os conectores utilizados nos Smartphones: muitas vezes seguem um determinado padrão e, com isso, você poderá utilizar acessórios de celulares antigos no seu novo aparelho.
Mas tome cuidado: olhar apenas a aparência do conector não é o suficiente. Tomemos a LG, por exemplo: o cabo de dados USB utilizado no convencional LG Chocolate aparentemente é o mesmo do Smartphone LG Genius porém, apesar de utilizarem o mesmo conector, sua pinagem (ordem dos pinos) é completamente diferente. Particularmente acho isso um grande (e absurdo) erro: em teoria é possível queimar um aparelho se ligado com um cabo errado – além de poder induzir o usuário a uma compra errada. Isso acontece também com a Nokia e seus diversos cabos “DKU-alguma-coisa”. O uso do mesmo conector com pinagens diferentes serve apenas para a redução de custos de produção – em minha opinião, uma “mesquinharia” sem sentido.

Os conectores do LG Genius e do LG Chocolates são os mesmos, mas sua pinagem (notem os contatos) são bem diferentes
Os fabricantes querem “fidelizar” (embora prefira o termo “imobilizar”) seus usuários e, por isso, os cabos e conectores seguem um padrão específico onde: conector Nokia é para celulares Nokia, conector LG para celulares LG e assim por diante. Nisso, é necessário citar duas fabricantes: Motorola e HTC, que seguem um princípio simples e lógico: seu negócio principal é vender aparelhos celulares e não acessórios. Por isso, ambas iniciaram a utilização de conectores padrão de mercado em seus aparelhos. Os Motorola MotoQ vendidos no Brasil, utilizam os cabos padrão miniUSB de 5 pinos que podem ser encontrados em quase todas as lojas de informática (e, eventualmente vêm junto com câmeras digitais). Os HTCs por sua vez, utilizam um padrão denominado ExtUSB que é o cabo miniUSB de 5 pinos com 6 sobressalentes para controle de funções multimídia. De qualquer forma, um cabo miniUSB comum pode ser utilizado em um conector ExtUSB.

O conector miniUSB pode ser ligado no ExtUSB: eles compartilham os cinco pinos (A, B, C, D e E).
Marca
Nokia, Samsung, HTC, Motorola, LG… não importa o quanto discutimos, nunca chegaremos a um consenso de qual o melhor Smartphone. Particularmente tenho predileção pelos celulares da (falida) Motorola pela sua construção sólida e design. Mas esta é a minha percepção e este debate é como política ou religião – cada um tem a sua e dificilmente irá mudar de ponto de vista.
Se você tem alguma afinidade com uma marca específica (e, principalmente, acessórios da marca que podem ser utilizados em seu novo aparelho), aconselho a manter sua fidelidade.
Funcionalidades Adicionais
Em geral, todos os Smartphones possuem uma série de funcionalidades adicionais que o tornam aparelhos muito completos, mas sempre há alguma diferença entre um ou outro modelo.
Dentre algumas das funcionalidades presentes nos Smartphones, destacamos:
- Bluetooth: praticamente todos os Smartphones possuem. Pode ser encontrado no do padrão 1.x, 2.x e 2.x com suporte EDR (que consome menos energia);
- WiFi: que permite a conexão do celular às redes sem fio;
- Rádio FM;
- GPS: fornece a localização do usuário. Associado a programas específicos, permite encontrar endereços e localidades enquanto se locomove;
- Câmera Digital: presente em praticamente todos os Smartphones. Tende a variar nas funcionalidades internas, resolução, existência de flash e autofoco;
- Acelerômetro: ainda presente apenas no HTC Touch Diamond e alguns celulares que estão para ser lançados (HTC Raphael, Sony Xperia X1). Faz com que o sistema reconheça a posição em que se encontra o celular, alterando a orientação da tela, por exemplo;
- Discagem por voz: há duas modalidades de discagem por voz: “inteligente” e por gravações pré-definidas. Na de gravações pré-definidas você grava um nome (falando) e ao repetir o mesmo com algum botão pressionado, o celualr disca automaticamente. Na inteligente, o celular reconhece o que você fala baseado na comparação dos fonemas (falados) com os nomes escritos na agenda telefônica. Esta forma é muito útil e prática – está presente nos Motorola MotoQ.
- Infravermelho: cada vez menos comum nos Smartphones. Era utilizado para trocar informações entre aparelhos antes da chegada do Bluetooth. Ainda que seja cada vez menos utilizado, alguns programas para Windows Mobile simulam controles remotos universais utilizando a porta infravermelha do aparelho.
Finalizando…
Bem, ao longo destes (longos) quatro posts, tentei passar algumas características que podem trazer alguma diferenciação entre os modelos de Smartphones existentes no mercado. Meu conselho é que você monte uma tabela comparativa dos celulares com estas características (incluindo o preço). A partir daí, procure um método qualitativo (pontue ou analise alguma funcionalidade, ou conjunto de funcionalidades, que seja essencial para o seu dia-a-dia).
Aconselho também a buscar nos fóruns respostas de usuários que já possuam o aparelho. Não se engane: todo smartphone tem pelo menos um defeito, por isso esteja atento muito mais para os defeitos que para as qualidades.
Boa sorte em sua escolha!
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O fato da LG utilizar conectores proprietarios conta negativo. Nao sabia que há conectores LG que apesar de encaixarem podem danificar o celulcar, pessima engenharia!! Todos deveriam utilizar o mini-usb.
seidi!!!
tem algum patch para o ks20 para ficar compativel com sdhc?
Eduardo,
Há um patch para tornar o MS20/25 compatível com o padrão SDHC. Porém não testei.
Recomendo que acesse a comunidade do LG Genius no Orkut – alguns usuários já instalaram e podem reportar suas experiências.
Att.
Seidi
preciso fazer uma monografia sobre microprocessadores para pda e smartphone.
Voce pode me mandar por email uns conteudos ou dicas, nao estou encontrando nada direcionado.
preciso de fazer um carregador do htc
gostaria q vcs me mandanse a pinagem desse carregador
por favor
obrigado
Eduardo,
Segundo alguns fóruns você pode utilizar os carregadores Motorola compatíveis com o Razr V3.
Att