No ano de 2006 a Motorola apresentou o Motorola Moto Q CDMA que mudou o conceito de design dos smartphones Windows Mobile, apresentando o teclado Qwerty em um corpo estreito e bem acabado. Seguindo a fórmula de sucesso, a família Q recebeu uma versão GSM (Motorola Moto Q8) e um sucessor (Motorola Moto Q9) com uma série de variações. Infelizmente o Q9 não chegou ao Brasil e, mais de um ano após o seu lançamento, um novo modelo desembarca no território nacional. O Motorola Moto Q11 chega ao mercado após ter feito sua primeira aparição em Outubro do ano passado, durante a FutureCom 2008.

Motorola Moto Q11

Este teste do Motorola Moto Q11 foi realizado em um aparelho gentilmente fornecido pela Motorola do Brasil, utilizando a rede da operadora Vivo.

DESEMPACOTANDO

O kit enviado pela Motorola do Brasil era um “Engineering Sample”, isto é, um aparelho para testes com os acessórios básicos para seu funcionamento e testes, contendo apenas:

  • Carregador de Viagem com conector miniUSB;
  • Cabo de sincronismo com conector miniUSB/USB;
  • Adaptador microUSB/miniUSB;
  • Cartão de memória microSD de 1GB.

Segundo a Motorola do Brasil, o kit vendido nas lojas acompanha:

  • Carregador de Viagem com conector miniUSB;
  • Carregador Veicular com conector microUSB;
  • Cabo de sincronismo com conector microUSB/USB;
  • Adaptador microUSB/miniUSB;
  • Cartão de memória microSD de 1GB;
  • Fone de ouvido padrão 2,5mm;
  • Adesivos “Messenger and Emotion – limited edition” (apenas para as 50 mil primeiras unidades);
  • Manuais e CDs de instalação.

Como não tive contato com o kit comercializado no Brasil, não foi possível realizar uma adequada avaliação da embalagem e apresentação do aparelho. Mas, considerando o conteúdo os acessórios presentes no kit do Moto Q11, pode se dizer que o mesmo está entre os mais completos do Brasil.

O MOTOROLA MOTO Q11

O Motorola Moto Q11 é um smartphone tipo candybar, com teclado Qwerty, rodando o sistema operacional Windows Mobile 6.1 Standard (sem suporte a touchscreen). Sendo um aparelho Quadband GSM/GPRS/EDGE, ele é compatível com todas as operadoras brasileiras.

Motorola Moto Q11

O aparelho segue o “padrão da família Q” medindo 11,7 x 6,4 x 1,17 cm e pesando 115 gramas. Não apenas compacto, mas também excepcionalmente bem construído (como é de se esperar da Motorola): o Moto Q11 é, possivelmente, o smartphone mais rígido que já testei – mostrando uma solidez incomparável quando submetido aos testes de torção. O design desenvolvido é característico da série e da fabricante, não trazendo grandes inovações. A parte traseira traz a textura “emborrachada” similar à do Motorola Moto Q8 GSM. Os detalhes em azul nas laterais do aparelho apresentam uma coloração e brilho únicos.

Motorola Moto Q11

A tela do Motorola Moto Q11 tem 2,4” e resolução QVGA – exatamente as mesmas dimensões e resolução dos demais smartphones da série, trazendo um bom contraste sem brilho excessivo.

Motorola Moto Q11

Logo abaixo da tela há os dois botões de funções, direcional (D-pad), botão de “Ok”, Realizar Chamada, Tela Inicial (Hoje/Today), Voltar e Desligar (de uma chamada). Ao contrário do que ocorria no modelo anterior, onde estes botões eram uma peça única (manta com contatos), no Moto Q11 eles aparentam ser totalmente independentes.

Motorola Moto Q11

Apesar do teclado Qwerty apresentar boa sensibilidade e resistência, pessoas com mãos grandes terão um pouco de dificuldade em o utilizar devido à proximidade das teclas. Ainda assim, sua qualidade é mais do que satisfatória, permitindo uma rápida digitação. O teclado apresenta teclas que servem de atalho para as principais funções do aparelho, tais como: navegador, mensagens, tipos de toques e câmera digital.

Motorola Moto Q11

O jog-dial presente no Moto Q CDMA e Moto Q8 GSM foi substituído por dois botões do lado direito do aparelho que servem para a regulagem de volume. Abaixo dele foi mantido um segundo botão Voltar, facilitando o uso do aparelho com apenas uma das mãos.

Motorola Moto Q11

Na lateral esquerda há apenas a porta microUSB (novo padrão adotado pela Motorola em substituição ao miniUSB) e a entrada para o fone de ouvido – que parece um tanto frágil, sendo fixada apenas por uma pequena peça de silicone.

Motorola Moto Q11

No topo do aparelho reside as caixas de som secundárias utilizadas para o som do sistema (alertas e afins) e o modo viva voz.

Motorola Moto Q11

Na parte traseira encontra-se apenas a lente da câmera de 3mpx e o flash (led).

Motorola Moto Q11

Sob a tampa está uma bateria de 1.170mAh e os slots do SIM Card e do cartão de memória microSD que só pode ser removido após a retirada da bateria. Embora incômodo, esta restrição diminui as chances do usuário danificar o cartão retirando-o enquanto o aparelho está gravando informações ou lendo o mesmo.

Motorola Moto Q11

Um detalhe interessante: seguindo seus antecessores, o Moto Q11 foi concebido para segurar com a mão direita – já que o microfone encontra-se na parte inferior esquerda. Se você optar por operar o aparelho em uma ligação com a mão esquerda, possivelmente o som sairá abafado do outro lado.

Motorola Moto Q11

CARACTERÍSTICAS GERAIS

O Motorola Moto Q11 é um aparelho compacto, mas que oferece uma série de recursos, entre eles:

  • Smartphone tipo candybar;
  • Sistema operacional Windows Mobile 6.1 Standard;
  • Quadband GSM/GPRS/EDGE (850/900/1800/1900Mhz);
  • Dimensões: 11,7 x 6,4 x 1,17 cm;
  • Peso: 115 g;
  • Tela com 2,4″ e resolução QVGA (320×240 pixels);
  • Processador Freescale ARM7;
  • Memória Interna de 64MB de RAM, 128MB de ROM, expansíveis com cartão microSD SDHC de até 16GB;
  • Bluetooth 2.1 com suporte A2DP;
  • WiFi;
  • Câmera de 3 mpx com Flash;
  • GPS;
  • Bateria de 1.170mAh.

INTERFACE E SISTEMA OPERACIONAL

O Motorola Moto Q11 utiliza o Windows Mobile Standard 6.1 sem nenhum tipo de customização expressiva na interface do usuário ou nas telas Today /Hoje por parte da fabricante, como ocorre na série Q9m. Assim, o Windows Mobile aparece de “maneira seca e direta” – o que não quer dizer algo ruim: cumpre bem todas as funções básicas e, pelo fato de não ser operado via Touchscreen, sua usabilidade é relativamente simples.

No botão Home (que guia o usuário à janela Today/Hoje) há um atalho para a função de Lista rápida que exibe atalhos para: desligar, bloquear, tipos de perfil, gerenciamento de conexões, etc. O Windows Mobile Standard 6.1 do Motorola Moto Q11 é complementado por alguns aplicativos (da Motorola e terceiros) pré-instalados, entre eles:

  • Documents ToGo: possivelmente o melhor pacote Office para o Windows Mobile Standard;
  • Shozu: uma aplicação de rede de relacionamento integrado com blog, geo-tag e feeds;
  • MotoID: permite identificar uma música que esteja tocando no ambiente, fornecendo a capa do CD, nome da música e cantor;
  • MotoNAV: para a navegação por GPS;
  • Lanterna: permite o uso do Flash da câmera como lanterna;
  • Reconhecimento de Voz: possibilita a execução de comandos básicos além da discagem por voz sem a necessidade de gravar tags (o aplicativo reconhece a voz baseado nos nomes escritos/fonemas da lista d econtatos);
  • Central de Mídia: gerenciador/álbum de fotos e vídeos proprietário.

Entre os aplicativos incorporados pela Motorola, o MotoID e o MotoNAV realmente se destacam. Em testes, o MotoID forneceu dados corretos de todas as músicas executadas a partir do notebook e boa parte do rádio no carro. Apesar de ter identificado até mesmo um J-Pop (Pop Japonês) o aplicativo apresentou certa dificuldade com várias músicas brasileiras. O MotoNAV, programa de navegação por GPS, utiliza como base o conhecido Destinator e, por isso, apresenta-se como uma ótima solução cumprindo sua função de maneira mais que satisfatória. A licença de uso do MotoNAV e o mapa do Brasil estão presentes, pré-instalados no cartão microSD, dispensando a necessidade de aquisição de qualquer outro software.

MotoNAV (Destinator)

QUALIDADE DE SOM E MULTIMÍDIA

A qualidade de som nas ligações é aceitável: tanto quem está executando quanto quem está recebendo a ligação podem ouvir bem o som, porém o aparelho mostrou-se muito suscetível a ruídos externos. A qualidade de som durante a execução dos programas, músicas e vídeos, bem como nas ligações por viva-voz é extremamente baixa – característica que parece ter sido herdada das versões anteriores da família Moto Q: durante um congestionamento, de dentro do carro foi, praticamente impossível manter um diálogo através do viva-voz do aparelho. Como o modelo enviado não dispunha do fone de ouvido original, não foi possível avaliar a qualidade de som do aparelho com seus acessórios básicos. Contudo, utilizando um fone genérico a qualidade de som (programas, músicas e vídeos) melhorou muito. Uma das grandes vantagens dos aparelhos da Motorola é de utilizar um conector padrão audiojack de 2,5 mm com pinagem proprietária – o que significa que é necessário adquirir um fone da Motorola (ou compatível) para realizar uma chamada mas qualquer fone com conector padrão 2,5mm serve para ouvir arquivos MP3 ou assistir vídeos gravados na memória do aparelho, o que é excelente considerando que as funções multimídia de smartphones Windows Mobile costumam consumir uma boa quantidade de carga da bateria e que o conector do carregador permanece livre. A combinação entre o processador padrão ARM7 e o sistema operaiconal Windows Mobile não tornam o Q11 um aparelho adequado para a exibição de vídeos: sua performance é parca neste quesito.

CÂMERA

A câmera de 3mpx não é boa: as fotos são carregadas com alta quantidade de granulação/ruído, afetando diretamente na qualidade final das fotos. Entre os recursos oferecidos pelo modo câmera do Q11 estão:

  • Resolução: 3mpx, 2mpx, 1mpx, VGA e QVGA;
  • Equilíbrio do Branco: Automático, Ensoladrado, Nublado, Interior da Casa, Interior do Escritório;
  • Zoom Digital: 1x, 2x, 4x e 8x;
  • Disparo Contínuo ou com Temporizador;
  • Efeito: Tons de Cinza, Sépia, Negativo;
  • Modos: Padrão, Panorâmico;

Entre os recursos oferecidos pelo modo gravação do Q11 estão:

  • Resolução: 3mpx, 2mpx, 1mpx, VGA e QVGA;
  • Equilíbrio do Branco: Automático, Ensoladrado, Nublado, Interior da Casa, Interior do Escritório;
  • Zoom Digital: 1x, 2x, 4x e 8x;
  • Disparo Contínuo ou com Temporizador;
  • Efeito: Tons de Cinza, Sépia, Negativo;
  • Modos: Padrão, Panorâmico;
  • Modo de Captura: MPG4, H.263.

CONECTIVIDADE

O Motorola Moto Q11 é um Quadband GSM/GPRS/EDGE permitindo seu funcionamento em todas as operadoras. Contudo, o rádio 3G foi retirado do projeto, não permitindo conexões de dados de alta velocidade pela rede HSDPA das operadoras. Em contrapartida o aparleho conta com Bluetooth 2.0 (e suporte A2DP para fones de ouvido estéreo Bluetooth) e WiFi. O sinal se mostrou ótimo e constante em toda a área de cobertura testada.

GPS

O GPS do Motorola Moto Q11 mostrou-se demasiadamente lento tanto no em cold start (inicia, localiza os satélites, estabelece conexão e realiza a triangulação) quanto warm start (em que o GPS já inicia com alguns parâmetros de posicionamento dos satélites facilitando suas localizações). Já no hot start (quando o GPS já possui os parâmetros corretos dos satélites e já inicia estabelecendo a conexão direta) sua velocidade de inicialização manteve a média de seus concorrentes. No entanto sua precisão foi muito mais acurada que aparelhos como: Samsung OMNIA, HTC Touch Cruise, HTC Touch Diamond e Samsung i617 (BlackJack II). A precisão surpreendeu e o fato de apresentar o programa MotoNav (Destinator) pré-instalado (e devidamente licenciado) com os mapas do Brasil compensam em grande parte suas deficiências nos momentos iniciais de uso do aparelho (inicialização).

BATERIA

Fonte de grande reclamação dos antigos usuários do Moto Q CDMA e Moto Q8 GSM, a bateria do Motorola Moto Q11 parece se comportar de maneira similar: em uso moderado (cerca de uma hora de ligações, 40 minutos de acesso na rede EDGE e 20 minutos de uso do GPS) ela não conseguiu agüentar mais que 20 horas. Contudo, o fato de utilizar um conector microUSB (que está se tornando o novo padrão universal do mercado em substituição ao miniUSB), tende a facilitar seu carregamento.

Opinião do Seidi

O Motorola Moto Q11 é um aparelho que representa muito mais “uma sutil evolução do Motorola Moto Q8 GSM” que uma inovação em termos de smartphones. Com isso, é praticamente impossível não compará-lo a outro aparelho que utiliza o form factor (formato) candybar com teclado Qwerty e o sistema Windows Mobile Standard: o Samsung Blackjack II. A principal diferença entre estes dois aparelhos está na forma pela qual ambos se conectam à Internet: ignorando a possibilidade de tráfego de dados pela lenta rede EDGE, o Samsung BlackJack II faz uso da conexão 3G HSDPA, enquanto o Motorola Moto Q11 permite que o usuário utilize hotspots WiFi. Com isso, é correto dizer que, embora seus usuários possam fazer o bom uso dos pontos WiFi gratuitos, perdem em mobilidade (já que a rede 3G, apesar de cara, possui maior amplitude/cobertura).

E por que o Moto Q11 não possui 3G (além do WiFi) à exemplo do Nokia E71? Segundo o gerente de produtos da empresa a demanda de produtos 3G é baixa, considerando o alto-custo dos aparelhos no Brasil. No entanto, acredito que exista duas justificativas para fato: público-alvo e bateria.

A primeira justificativa tem a ver com a alegação da Motorola: suprimindo componentes de sua construção, a empresa poderia reduzir o custo de fabricação do aparelho, criando uma opção entry-level (para o mercado de entrada, de menor poder aquisitivo). Neste sentido, o Motorola Moto Q11 se posiciona como uma forte opção no segmento, podendo atingir principalmente o público jovem que freqüenta shoppings (de rede WiFi gratuita) com notebooks sob o braço para conexão no messenger e outros serviços de rede social.

A segunda justificativa está no passado da “família Q” que sempre apresentou uma baixa autonomia de bateria, fazendo com que a Motorola fornecesse (gratuitamente) carregadores portáteis para os usuários do Motorola Moto Q CDMA e uma bateria extra junto ao kit do Motorola Moto Q8 GSM. Considerando que a rede 3G HSDPA é uma grande consumidora de energia, as reclamações poderiam voltar a ser uma constante para a empresa.

Particularmente questiono a posição da Motorola: o perfil dos usuários de smartphones contempla consumidores que anseiam por tecnologia e conectividade – se há predisposição para a assinatura de um oneroso pacote de dados mensais, fornecer uma melhor experiência com a opção de conexão de dados 3G (HSDPA) ainda parece o caminho lógico.

Ainda que o projeto possua alguns pontos fracos/falhos, o seu preço inicial (não subsidiado) abaixo dos R$ 1.000,00 torna o Moto Q11 atrativo quando comparado a outros smartphones Windows Mobile. Apesar disso, seu maior rival continua sendo o BalckJack II que, com um projeto mais antigo (mas ainda atual), rivaliza com seu preço em constante queda contra o valor de um lançamento do Q11.

[Agradecimentos à Motorola do Brasil]