Review: HTC One X

Desde Fevereiro de 2009, quando a Google anunciou o seu sistema operacional para dispositivos móveis, que a HTC passou a ser referência em smartphones Android: o primeiro aparelho, chamado T-Mobile G1, foi desenvolvido pela fabricante taiwanesa (embora a primeira escolha do Google tenha sido a LG que, na época, negou o acordo apostando suas fichas no Windows Mobile); o primeiro smartphone da série Nexus foi projetado pela HTC; e alguns dos aparelhos mais cobiçados levavam a sua marca.

HTC One X

A HTC viu um rápido crescimento e domínio do mercado até Março do ano seguinte, quando a Samsung trouxe ao mundo o Samsung Galaxy S. Depois disso, HTC e Samsung parecem ter galgado os passos da Motorola e Nokia: a pioneira estagnou apresentando “novas versões dos mesmos aparelhos” enquanto a segunda inovou e em dois anos garantiu seu lugar como a principal fabricante de smartphones. A HTC iniciou um processo de declínio que culminou em prejuízo na apuração de contábil trimestral (após anos de excelentes resultados).

No final de 2011 a HTC resolveu diminuir o seu portifólio (com mais de 20 aparelhos), além de otimizar e simplificar sua interface HTC Sense. Com isso nasceu a série “One” – anunciada em Fevereiro de 2012 durante a Mobile World Congress em Barcelona, com apenas três aparelhos: HTC One V, HTC One S e o “top de linha” HTC One X. Mas será que ele é mesmo “único” como o seu nome?

Este review foi realizado em um HTC One X (ROM francesa), utilizando a rede da operadora Vivo.

 

Desempacotando: simplicidade que não condiz com o aparelho

Por não ter recebido o aparelho em sua embalagem original, este review não apresenta fotos da mesma. Contudo, a ela bem simples: uma caixa composta de duas partes, feita de papel compactado com bordas arredondadas e envolto por uma tira de papel com o grafismo que identifica o HTC One X. Neste quesito a HTC teve a preocupação ecológica (e de custos) em simplificar: pouca matéria prima e a tinta utilizada é a mesma que vem sendo empregada nos últimos dois anos (à base de soja).

Vocês podem até me chamar de chato, mas se por um lado isso é bom, do outro ainda tenho uma sensação de depreciação do aparelho: lembro-me das caixas de meu HTC Touch Cruise e do Sony Xperia X1: com vários compartimentos acomodando manuais e tornando a experiência de unboxing algo gradual e prazeroso.

HTC One X: conteúdo da embalagem

Um plástico de proteção escrito: “I’m the one you’ve been waiting for” (Eu sou aquele que você estava esperando). Dentro não há mistério:

  • Cabo padrão microUSB na cor branca (para o modelo branco);
  • Carregador de tomada na cor branca (para o modelo branco);
  • Fones de ouvido estéreo com microfone e botão de atendimento de chamada;
  • 3 folhetos: instruções para inserção do microSIM, telefones para contato de suporte e garantia;
  • Uma peça metálica para a abertura do compartimento de microSIM.

Fone de Ouvido Estéreo do HTC One X

Talvez a maior crítica que se possa fazer sobre os acessórios que acompanham o HTC One X seja a falta de fones “Beats”. Para quem não sabe, em agosto de 2011 a HTC fez um investimento de 309 milhões de dólares para adquirir 51% da Beats Electronics – fabricante de fones de ouvido de alta fidelidade. A justificativa era implementar a tecnologia melhorando a qualidade sonora de seus aparelhos. Fruto desta “parceria” foram os HTC Sensation XE e HTC Sensation XL que traziam um equalizador especialmente ajustado para o uso com os fones de ouvido Beats by Dr Dre que acompanhavam o aparelho. O HTC One X utiliza a tecnologia Beats mas abdicou dos fones de ouvido da marca, trazendo um regular – cujo desempenho não vai além do “minimamente satisfatório”.

 

O HTC One X: “The One”

O HTC One X é um smartphone tipo candybar rodando o sistema operacional Android versão 4.0.3 e customizado com interface proprietária HTC Sense 4.0. O aparelho é quadband tanto para GSM/GPRS/EDGE (freqüências: 850/900/1800/1900Mhz) quanto para 3G HSPA (freqüências: 850/900/1900/2100Mhz), tornando-o compatível com todas as operadoras brasileiras – aliás, ele já foi homologado pela Anatel no dia 05 de Abril deste ano.

HTC One X

Com 13,44 centímetros de comprimento por 6,99 centímetros de largura e 8,9 milímetros de espessura, ele não é um aparelho que pode ser chamado de “pequeno”: apesar de seu desenho propiciar uma boa empunhadora, operá-lo com apenas uma mão não é tarefa fácil – especialmente para aqueles com mãos pequenas. Apenas como referência, ele é maior (em todos os aspectos) que o Samsung Galaxy S II, mas mantém proporções muito similares ao Samsung Galaxy Nexus / Galaxy X. E ao lado do iPhone 4… bem, basta dizer o aparelho da Apple torna-se um pigmeu.

HTC One X: comparativo de tamanho

Quem acompanha os lançamentos mundiais da HTC pode estranhar um pouco a decisão da empresa em abandonar o alumínio como matéria base do corpo do aparelho: desde o “legendário” HTC Legend, a fabricante construía sólidos smartphones esculpidos de blocos do metal. No lugar do alumínio aparece o policarbonato: um plástico dito de alta-resistência, que permite ao aparelho manter seu peso em “apenas” 130 gramas.

Ainda que trocar metal por plástico pareça um retrocesso em termos de qualidade e resistência, basta retrocedermos até 2009 para encontrar o HTC HD2: um Windows Mobile todo feito em plástico (não policarbonato) que é considerado por muitos, um dos smartphones mais bem construídos até hoje. Em suma: a HTC têm um bom histórico na arquitetura de seus aparelhos e isso é retratado com certa maestria no One X.

O aparelho utiliza o conceito “unibody”, onde toda sua a sua estrutura base é composta por uma peça única, o que lhe confere uma rigidez impressionante. Não há áreas móveis, logo não há os famosos rangidos de plástico ao manuseá-lo. Dito isso parece óbvio que, quando submetido ao teste de torção (pegar cada uma das pontas do celular e torcê-las para direções opostas esperando escutar rangidos do material), o resultado não poderia ser outro que não o mais absoluto silêncio. É como pegar um bloco de metal maciço e tentar deformá-lo apenas com a mão.

HTC One X

A parte frontal do aparelho reserva em seu topo 56 minúsculos orifícios feitos com tamanha precisão e refinamento que marcam a área do alto-falante. Ao seu lado, uma câmera de 1,3 megapixels de foco fixo (mas capaz de gravar vídeos em 720p). Todo o resto da frente é tomado por uma grande peça de vidro temperado (o já conhecido Gorilla Glass) que possui um agradável acabamento curvado nas laterais. Nele encontram-se 3 botões capacitivos de iluminação suavemente azulada (voltar, home e gerenciador de tarefas) e a gigantesca tela touchscreen capacitiva de 4,7” Super IPS LCD 2 e resolução HD (1280 x 720 pixels).

A qualidade das imagens é indescritível: apesar de suas cores serem um pouco saturadas, as imagens parecem um tanto mais vivas e brilhantes que os aparelhos com telas do tipo AMOLED/Super AMOLED (série Samsung Galaxy S e Samsung Galaxy X). O ângulo de visão também impressiona: mesmo segurando o aparelho quase que totalmente de lado na altura dos olhos ainda é possível ver a imagem nítida, clara e sem distorção de cores. Mesmo sob a luz do sol, a imagem ainda aparece nítida (com um mínimo de esforço visual).

HTC One X

Na lateral esquerda há apenas a porta microUSB compatível com o padrão MHL – que permite, através do uso de um adaptador, a conexão com um monitor/TV por cabo HDMI.

HTC One X: conector micro USB

Na lateral direita estão os botões de volume (em uma peça única contínua).

HTC One X: controle de volume

A base possui apenas o microfone usado em chamadas.

HTC One X: microfone

No topo estão: o segundo microfone (utilizado para os sistemas de redução de ruído do aparelho), botão para ligar/desligar, o conector de áudio padrão de 3,5mm e o compartimento (aberto através do pequeno orifício ao seu lado) que abriga o cartão microSIM.

HTC One X: topo

A área traseira do smartphone apresenta a câmera de 8 megapixels (saliente através de uma peça cônica de alumínio), o LED flash, a logo da fabricante, 84 pequenos orifícios para o alto-falante traseiro, 5 contatos para o uso de “docks” e outros acessórios, além dos grafismos “Beats Audio” e certificações (FCC, CE, etc.).

HTC One X

Um detalhe do acabamento interessante é que enquanto a frente e a traseira do aparelho são foscas, toda a sua lateral é “glossy”/brilhante.

HTC One X: lateral brilhante, traseira fosca

O HTC One X é apresentado em duas cores: Glamour Gray (Cinza Glamuroso – uma espécie de cinza escuro/chumbo, quase preto) e a Polar White (Branco Polar – cujo nome já diz tudo). Se existe dúvida em qual modelo comprar, é importante salientar que já foram reportados problemas com a versão Polar White: embora tenha um tratamento químico para evitar sujeira, alguns usuários reclamaram que o branco é um tanto susceptível às manchas – especialmente quando o aparelho é carregado no bolso da calça jeans, “absorvendo” a tintura azul. O pior? Até o momento não conseguiram encontrar nenhuma solução para retornar à cor original.

Você já deve ter notado uma coisa: sendo um modelo “unibody” e havendo apenas um compartimento para o microSIM, o HTC One X não oferece a opção de bateria removível e tão pouco a utilização de cartões de memória do tipo microSD –um tanto “iPhone like” para um Android. Seu proprietário terá que se conformar com os 1.800 mAh da bateria nativa e os 32GB de memória (sendo 26 GB acessíveis) existentes.

Há um pequeno bônus: usuários do aparelho recebem, pelo período de dois anos, 25 GB no serviço de armazenamento on-line (cloud) Dropbox. Basta uma conexão WiFi ou 3G para acessar arquivos enviados do aparelho para “a nuvem”.

 

Características Gerais:

HTC One X

O HTC One X possui como especificações técnicas:

  • Smartphone tipo candybar unibody;
  • Sistema operacional Google Andorid 4.0.3 com customização de interface HTC Sense 4.0;
  • Quadband GSM/GPRS/EDGE (850/900/1800/1900Mhz) e Quadband 3G HSPA (850/900/1900/2100Mhz);
  • Dimensões: 13,44 x 6,99 x 0,89 cm;
  • Peso: 130 gramas;
  • Tela touchscreen capacitiva de 4,7”, com tecnologia Super IPS LCD2 e resolução de 720 x 1280 pixels;
  • Processador Nvidia Tegra 3 Quadcore de 1,5Ghz e processador de vídeo Nvidia ULP GeForce;
  • Memória Interna de 1GB de RAM e 32 GB de ROM (sendo 26 GB disponíveis para o usuário) não-expansíveis ;
  • Bluetooth 4.0;
  • WiFi padrões a/b/g/n;
  • NFC (Near Field Communication);
  • USB padrão microUSB 2.0 + MHL;
  • Câmera principal de 8mpx com auto-foco e LED flash (com 5 gradações/intensidades), com capacidade de foto e gravação de vídeo simultâneos. Gravação de vídeo em fullHD (1080p) a 24fps;
  • Câmera secundária frontal com 1,3mpx com foco fixo e capacidade de gravação e vídeo HD (720p);
  • GPS com suporte aGPS;
  • Rádio FM estéreo com RDS;
  • Acelerômetro, giroscópio, sensor de proximidade, bússola e sensor de luminosidade;
  • Bateria de 1.800 mAh.

 

Sistema Operacional e Interface: a hora de voltar às raízes

O HTC One X opera sobre o sistema operacional Android Ice Cream Sandwich versão 4.0.3, com kernel versão 2.6.39.4-gc9932b1 e a interface customizada HTC Sense 4.0.

Tela inicial

Para quem não está familiarizado com o Android, basta saber que as fabricantes de smartphones com este sistema operacional possuem total liberdade para customizá-lo: realizando mudanças tanto gráficas (ícones, menus, fontes, etc.) quanto em seu uso.

A HTC em particular possui um vasto conhecimento nesta área: em Junho de 2007 a fabricante colocou no mercado o HTC Touch: um smartphone que utilizava o sistema Windows Mobile (hoje extinto, substituído pelo Windows Phone) que se tornou muito popular graças a uma interface chamada HTC TouchFLO (que facilitava, em muito, o uso do aparelho). Quase um ano mais tarde, em Maio de 2008, a HTC lançou o icônico HTC Touch Diamond, com a segunda versão de sua interface agora denominada HTC TouchFLO 3D. O clássico aparelho HTC HD2 trouxe a terceira versão da interface que fora batizada de HTC Sense – que mais tarde seria inserida nos aparelhos Android da empresa (iniciando pelo HTC Magic) e evoluindo gradativamente até os dias atuais.

Por anos críticos e sites especializados consideraram-na um benchmark entre as interfaces proprietárias: por sua intuitividade, funcionalidade e desempenho. Contudo a chegada das HTC Sense versões 3.5 e 3.6 (presente na geração anterior de smartphones da empresa) colocou esta quase soberania em xeque: ela havia se tornado lenta, excessiva em funcionalidades e incongruente na usabilidade.

No lançamento da série One, a fabricante declarou que errou na Sense e, para a sua versão 4.0 reescreveu-a completamente “do zero”. Portanto, o que aparece da tela não é apenas uma remodelagem da versão 3.x, mas uma Sense completamente nova e otimizada para o Android Ice Cream Sandwich.

Algumas das “mudanças” vieram nativamente do Android Ice Cream Sandwich e considerando que o One X chega com o novo padrão de botões (Voltar, Home e Aplicativos Ativos), seu comportamento muda bastante em relação aos modelos anteriores. Os botões Voltar e Home continuam com as mesmas funções (voltar para a tela anterior/cancelar/sair do aplicativo e ir para a tela principal da Home/abrir o “exposé” – interface que exibe todas as telas da home em miniatura) e o novo botão de Aplicativos Ativos mostra um Gerenciador de Tarefas que foi customizado pela fabricante.

Enquanto todos os Android 4.0 nativos exibem um “crop” da tela do aplicativo e seu nome em uma lista vertical, a HTC Sense 4.0 faz com que uma “printscreen” de cada aplicativo seja exibida (com seu nome e ícone abaixo) em uma lista na horizontal, similar à interface conhecida como CoverFlow. Para encerrar terminantemente um aplicativo, basta tocar sobre a printscreen respectiva e arrastá-la para cima. Embora na Sense o apelo visual seja maior, a usabilidade é pior que a versão nativa: é possível visualizar no máximo 3 aplicativos por vez.

Gerenciador de Tarefas

Se o botão “Menu” sempre foi uma constante nos aparelhos da HTC, o Ice Cream Sandwich o substitui por um ícone com 3 pontos alinhados na vertical, presente no canto superior direito da tela (quando disponível). A barra de notificações também foi modificada: as últimas aplicações abertas (algo que sempre foi um tanto inútil na Sense 3.x) não aparece mais havendo apenas os avisos e um botão apara acesso direto às configurações do sistema. Para excluir cada notificação individualmente basta arrastá-la para a direita.

Barra de Notificações Expandida

Graças ao Ice Cream Sandwich o usuário pode ainda: agrupar aplicativos em pastas (arrastando o um aplicativo sobre outro em qualquer uma das telas da Home), controlar o consumo de MBs baixados, criar 4 atalhos (para aplicativos ou pastas) permanentes na base das telas Home e desbloquear o smartphone com reconhecimento facial.

Pasta

A tela de bloqueio (lockscreen) continua com o sistema presente nas versões anteriores. Um anel na parte inferior é responsável por seu desbloqueio. Arrastando-o para cima o smartphone desbloqueia e retorna à última tela aberta. Pode-se ainda arrastar um dos quatro atalhos existentes para dentro do anel – fazendo com que o smartphone execute a ação ao desbloquear o aparelho. Por exemplo: caso um dos atalhos seja a câmera, basta arrastá-lo para o anel que o One X irá executar a câmera imediatamente após o desbloqueio. Ao contrário do Sense 3.x, estes atalhos não podem ser configurados de maneira independente: eles serão sempre os 4 atalhos escolhidos para a base de todas as telas da Home.

Tela de Bloqueio (Relógio)

Há uma série de lockscreens disponíveis que trazem informações na porção superior da tela:

  • Papel de Parede: nenhuma função a não ser relógio e data;
  • Produtividade: resumo de chamadas perdidas, eventos do calendário, mensagens e e-mails recebidos;
  • Álbum de Fotos: rotação de fotos existentes na memória do aparelho (podendo configurar o álbum a ser exibido);
  • Friend Stream: com atualizações das redes sociais que o usuário configurar no aparelho;
  • Tempo: previsão do tempo local ou de uma cidade definida;
  • Contatos: com atalhos dos contatos de um grupo;
  • Relógio: possibilitando a escolha de um dos relógios utilizados como widget do HTC Sense;
  • Ações: com as variações das carteiras de ações configuradas no aparelho.

Em diversas áreas do Sense há abas na parte inferior da tela (Aplicativos, Contatos, E-mails, Previsão do Tempo, etc.): é possível adicionar, reorganizar ou excluir itens simplesmente mantendo o dedo sobre uma delas para abrir um modo de edição.

Configuração de Abas

A HTC copiou/importou/implementou o conceito de “hubs” para as funções associadas à música – já existente na plataforma Windows Phone e que apareceu posteriormente no Samsung Galaxy S II. O “hub” é um agregador de programas e funções correlatas. No caso do Sense 4.0 e seu Music Hub, os arquivos MP3 presentes na memória do aparelho e aplicativos de áudio pré-instalados aparecem acessíveis em um só lugar. O Soundhound (programa que busca informações sobre músicas que estão sendo tocadas) está intimamente ligado, permitindo que seu usuário obtenha informações tanto de MP3, quanto de músicas no aplicativo Rádio FM do One X sem a necessidade do som ser reproduzido nos auto-falantes do aparelho (mesmo no headphone o Soundhound funciona).

Hub de Música

Para o uso profissional há aplicativos muito úteis: as Tarefas permitem a criação de uma lista de tarefas (com hora, data, local e detalhes para a sua execução) sincronizável com as tarefas de sua conta no Google/Gmail; as Notas para tomada de anotações durante reuniões (com gravação de som, inserção de imagem, anexação de documentos e associação de datas a eventos do calendário) sincronizável com o serviço Evernote; e integração com o serviço de armazenamento na nuvem Dropbox (que fornece uma conta com 25GB de espaço pelo período de dois anos).

Aplicativo de Notas

Outros aplicativos incluídos na HTC Sense:

  • 7Digital: serviço de compra de músicas on-line;
  • Calculadora;
  • Editor de filmes: para a edição simples de arquivos de vídeo;
  • Espelho: ativa a câmera frontal do aparelho;
  • Gravador de Voz/Áudio;
  • Lanterna: ativa o LED da câmera traseira;
  • HTC Locations: mapas para uso com GPS (grátis por 30 dias);
  • Rádio FM;
  • Relógio: com as funções de Relógio Mundial, Cronômetro; Alarme e Timer;
  • Soundhound: permite identificar e obter informações via Internet sobre uma música em execução no aparelho ou no ambiente;
  • Teeter: jogo que utiliza o acelerômetro do aparelho;
  • TuneIn Radio: serviço que fornece rádios FM por stream via Internet;
  • HTC Watch: serviço de aluguel de filmes para assistir no aparelho;

Tela de Ajuda nos Aplicativos

Há ainda um modo para a utilização em automóveis: com botões maiores, orientação “paisagem” e 5 telas principais (que se desdobram em outras através de movimentos de arraste vertical): a principal com botões para as outras 4 e o tradicional relógio no centro; uma de telefone com acesso aos principais contatos, histórico e teclado; uma de navegação GPS que utiliza como base o Google Maps; uma de músicas (contidas no aparelho) e outra com o aplicativo TuneIN.

Modo Carro (Tela Principal)

De maneira geral a Sense 4.0 apresenta um desempenho bastante bom: possui respostas rápidas ao usuário. Em alguns (raros) momentos é perceptível uma queda em sua performance ao ponto de um toque na tela demorar até 5 segundos para responder. Contudo são casos extremos quando há vários aplicativos rodando simultaneamente ou arquivos grandes sendo gravados na memória interna.

No entanto constatei dois graves problemas. O primeiro está relacionado ao seu teclado on screen que parece ter perdido a qualidade encontrada em modelos anteriores. Durante os testes, por diversas vezes letras de teclas vizinhas apareciam em meio as palavras digitadas tornando o texto completamente ilegível. Parece uma questão de ajuste de sensibilidade do software que pode ser imediatamente resolvida com a aquisição de um entre os diversos teclados disponíveis no Google Play.

O segundo, que é um tanto pior, está no gerenciamento de memória do aparelho. A HTC optou por fazer “seu próprio gerenciamento de memória” ao invés de utilizar o nativo do Andorid Ice Cream Sandwich. Resultado? O One X é extremamente agressivo com os programas em background “matando-os” ao invés de simplesmente deixá-los inativos. Pode ter sido uma saída para economizar RAM e melhorar o desempenho, mas com certeza não é a melhor resposta. Mais uma vez a solução encontra-se em ajustes de software.

 

Desempenho, Qualidade de Som e Multimídia

O HTC One X utiliza como base o Nvidia Tegra 3 – um processador com arquitetura ARM9 que possui 4 núcleos (quadcore) + 1. O suposto “quinto core” serve para operações de baixo nível de processamento, evitando que o quadcore seja acionado à esmo consumindo (desnecessariamente) carga da bateria. Aliado a ele está o processador gráfico Nvidia ULP GeForce.

Basta conhecer um pouco de informática para saber que a Nvidia é uma empresa que possui grande foco em soluções gráficas – tanto profissionais (com sua série Quadro de placas de vídeo para desktops) quanto para gamers (e as conhecidas GeForce). O ‘background” desta fabricante reflete-se diretamente no desempenho do aparelho: jogos apresentam animações e desempenho bastante fluidos,  mesmo quando o número de elementos na tela é bastante grande.

No caso de games destinados à plataforma Tegra (marcados no Google Play com a sigla THD – Tegra High Definition), o número de partículas, efeitos, luzes e reflexos é ainda maior, criando um detalhamento gráfico ainda mais impressionante. Possivelmente o melhor exemplo disso seja o jogo Shadowgun: a versão “normal” não possui os mesmos efeitos de luz, partículas de fumaça/poeira flutuando no ambiente e principalmente uma fina camada de água sobre o solo em alguns cenários criando reflexos e respingos.

Shadowgun: Versão Tegra 3 (acima) e

Para testes da capacidade de reprodução de vídeo, foi utilizado o aplicativo MX Player (disponível no Google Play), visto que: 1) o desempenho do reprodutor de vídeo nativo não é bom; 2) a necessidade de testes em arquivos com formatos e codecs de vídeo  não suportados pela aplicação nativa; 3) pelo MX Player alegar que aproveita a capacidade de processamento multicore quando disponível. Dessa forma, foram utilizados 8 arquivos para a análise de performance:

Vídeo Formato Resolução Comprimento Tamanho do Arquivo
1 MKV 1080p 00h55m10s 1,70 GB
2 MKV 720p 01h57m14s 2,00 GB
3 MP4 1080p 00h04m00s 80 MB
4 MP4 720p 00h04m02s 46 MB
5 MOV 720p 00h57m31s 1,66 GB
6 WMV 720p 00h03m34s 77 MB
7 MPG 720p 00h00m13s 30 MB
8 AVI 720p 01h32m53s 2,01 GB

 

Após os testes, ficou claro que a execução e vídeos também é beneficiada pelo Tegra 3: todos os arquivos foram executados com maestria – excelente qualidade e fluidez. Infelizmente não é possível visualizar filmes completos no formato MKV em resolução Full HD (1080p), que normalmente possuem tamanho superior a 6 GB, devido a limitação imposta pelo sistema de arquivos (filesystem) utilizado na memória interna do aparelho. O FAT 32 não permite a gravação de arquivos maiores que 4GB.

Neste sentido, há duas observações a serem feitas em relação ao desempenho e uso do aparelho.

A primeira diz respeito ao Tegra 3: o seu desempenho aliado ao fato de que sua arquitetura é baseada no ARM9 (de 35 nm) fazem com que seja bastante perceptível o aumento de temperatura na parte de trás do One X ao utilizar funções que requerem poder de processamento (leia-se: vídeos e jogos).

A segunda está relacionada ao acesso à memória interna do aparelho. Em uma frase: ela é bastante lenta. Conectado via USB 2.0 no PC, dificilmente se atinge taxas médias de gravação superiores a 15MB/s. Da mesma forma o acesso interno à memória parece não acompanhar a velocidade de seu processador: foi praticamente impossível utilizar o smartphone enquanto ele instalava (em série) as centenas de aplicativos adquiridos no Google Play. A instalação monopolizou o One X, ao ponto de não conseguir acessar simultaneamente o aplicativo do Gmail, por exemplo.

A qualidade sonora do One X surpreende e talvez seja um pouco justificada pela pequena logo “Beats” na parte de trás do aparelho. O som emitido pelo seu alto-falante é bastante alto – principalmente quando comparado à série Galaxy da Samsung (incluindo o Galaxy S II e o Nexus). Há um pouco de distorção, o que é bastante natural, nos picos de graves e agudos, mas basta conectar um bom fone de ouvido para que o equalizador do aparelho ative a função Beats que aumenta os graves e parece deixar as músicas sensivelmente melhores.

Felizmente o auto-falante auricular acompanha o conjunto tornando o som durante as ligações é bastante satisfatório. Durante os testes foi reportado que o sistema de cancelamento de ruído é eficiente (reforçando a voz e diminuindo o som ambiente) mas não faz milagre. Ainda assim, o desempenho foi considerado muito bom, mesmo no uso da função viva-voz.

 

Câmera

Enquanto a câmera frontal possui 1,3 megapixels, foco fixo e a capacidade de gravação de vídeos a 720p (servindo mais para vídeo chamadas), a câmera traseira do One X tem 8 megapixels, auto foco, lente com abertura f2.0 de 28mm, um LED flash (simples, não duplo) que é dito “inteligente” (com ajuste de 5 diferentes intensidades conforme a distância do objeto) e sensor BSI para melhorar as fotos em situações de baixa luminosidade.

HTC One X: câmera e LED Flash

A HTC incluiu uma nova tecnologia proprietária (processador e software) ao aparelho chamado Image Sense que permite uma rápida inicialização da câmera e foco. Enquanto a HTC divulgou os tempo de 0,2 segundos para abertura da câmera e 0,7 segundos para a tomada da primeira foto, a prática não fica muito longe disso: em testes foram necessários entre 1  a 1,5 segundo para obter o mesmo resultado em um ambiente claro e ensolarado. Apesar da disparidade entre os números, o desempenho pode ser considerado excelente visto a existência de outros programas rodando em background no aparelho.

A câmera é capaz de registrar até 20 fotos sequenciais (burst) e exibi-las isoladamente ao término da captura para que o usuário escolha quais irá manter e quais irá descartar. A velocidade é de aproximadamente 3 a 4 fotos por segundo.

A câmera possui uma boa infinidade de recursos configuráveis através de seus menus:

  • Flash:
    • Desligado;
    • Fixo;
    • Automático;
  • Disparador Automático de 2 e 10 segundos;
  • Resolução da Imagem:
    • 640 x 368 pixels;
    • 1M (1280 x 720 pixels);
    • 3M (2048 x 1152 pixels);
    • 5M (2592 x 1456 pixels);
    • 8M (3264 x 1840 pixels);
  • Qualidade de Vídeo:
    • MMS (176 x 144 pixels);
    • QVGA (320 x 240 pixels);
    • VGA (640 x 480 pixels);
    • HD (1280 x 720 pixels);
    • Full HD (1920 x 1080 pixels);
  • Visualizar foto após captura:
    • Não rever;
    • 3 segundos;
    • 5 segundos;
    • Sem limite;
  • Ajustes da Imagem:
    • Exposição;
    • Contraste;
    • Saturação;
    • Nitidez;
  • ISO:
    • Automático;
    • 100;
    • 200;
    • 400;
    • 800;
  • Balanço de branco:
    • Automático;
    • Incandescente;
    • Fluorescente;
    • Natural;
    • Nublado;
  • Gravação Contínua:
    • Gravação Contínua;
    • Limitação a 20 Quadros;
    • Visualização Automática;
  • Opções da Câmera:
    • Detecção de Rosto;
    • Captura Automática de sorriso;
    • Widescreen;
    • Fotos com Marcação geográfica (GeoTag);
  • Opções de Vídeo:
    • Estabilização de Vídeo;
    • Gravar com ou sem Áudio;
    • Gravação Estéreo;
  • Interface da Câmera:
    • Linhas de Grade;
    • Som do Obturador
    • Carregamento Automático (para uma conta de Facebook, Flickr ou outro serviço);
  • Modos:
    • Automático;
    • HDR;
    • Panorama;
    • Retrato;
    • Retrato do grupo;
    • Paisagem;
    • Quadro branco;
    • Close Up;
    • Pouca Luz;
    • Gravação de Vídeo em Câmera Lenta;
  • Filtros:
    • Distorção;
    • Vignette;
    • Profundidade do Quadro;
    • Dots;
    • Monocromático;
    • Country;
    • Vintage;
    • Mono Clássico;
    • Frio Clássico;
    • Tons de Cinza;
    • Sépia;
    • Negativo;
    • Solarizar;
    • Posterizar;
    • Azul-piscina.

Efeitos da Câmera

As fotos obtidas possuem cores um pouco saturadas, além de ser perceptível a presença de noise (ruído) e um pouco de Chroma Aberration (aberrações cromáticas) – principalmente nas situações de alta iluminação ambiente em áreas de grande diferença de contraste. Contudo, o resultado das imagens obtidas da câmera do One X está muito longe de ser ruim: possivelmente é uma das melhores câmeras de celulares do mercado e com certeza a melhor entre os HTCs.

O HTC One X é capaz de registrar vídeos tanto na resolução HD (720p) quanto full HD (1080p), mas estranhamente os vídeos gravados possuem apenas 24 fps (frames per second/frames por segundo) – diminuindo a “fluidez” do mesmo.

Um detalhe interessante está na modificação que a HTC fez na interface da câmera: não há um “modo câmera” e um “modo vídeo”. Há dois botões (um “câmera” e outro “vídeo”) na mesma tela, permitindo ao usuário gravar um vídeo e tirar fotos simultaneamente.

Interface da Câmera

O modo de visualização de fotos permite uma edição simples das imagens:

  • Aparar (crop);
  • Rotacionar:
    • Para a Direita;
    • Para a Esquerda;
  • Aplicar Efeitos:
    • Auto aprimorar;
    • Canela;
    • Alto-Contraste;
    • Sépia;
    • Super exposto;
    • Luz fraca;
    • Crepúsculo;
    • Dinâmico;
    • Quente;
    • Frio;
    • Gélido;
    • Vintage;
    • Antigo;
  • Adicionar Efeito Personalizado, regulando:
    • Auto aprimorar;
    • Balanço de Branco;
    • Níveis;
    • Exposição;
    • Contraste;
    • Brilho;
    • Saturação;
    • Nitidez;
    • Grão;
    • Vignette.
  • Adicionar Molduras:
    • Nenhuma;
    • Branco Simples;
    • Polaroid;
    • Tipo 55;
    • 4×5 Grunge;
    • Cantos Brancos;
    • Moldura de Madeira.

O modo de visualização de filmes permite também “recortar” trechos do filme e salvá-los como novos arquivos de mídia, além de capturar telas do arquivo em reprodução – incluindo aqueles que você gravou com a câmera do aparelho.

 

Conectividade

O HTC One X é Quadband tanto para GSM/GPRS/EDGE quanto para 3G HSPA, o que o torna 100% compatível com os padrões brasileiros. Durante o seu uso, o HTC One X demonstrou uma excelente qualidade de sinal (obtendo quase sempre entre 4/5 a 5/5 pontos). Durante o uso não foi possível perceber quedas ou oscilações que não estivessem diretamente associadas às regiões de sombra da operadora utilizada para testes (Vivo).

O suporte WiFi atinge todos os padrões utilizados atualmente no mercado (a/b/g/n), contudo pude perceber uma sensibilidade um pouco maior de perda do sinal que em outros aparelhos (Sony Xperia X10 Mini e HTC Desire HD). Não aparenta ser um problema relacionado a hardware (posicionamento de antena e o chamado “death-grip”), mas sim a um bug de software, ou ajustes finos necessários na Radio/ ROM.

Sobre o WiFi o One X possui ainda os serviços de WiFi Hotspot (permitindo que o smartphone funcione como um roteador WiFi, compartilhando a conexão 3G com notebooks e outros aparelhos); DLNA (para o streaming de músicas e vídeos) e WiFi Direct (permitindo que outros aparelhos também com WiFi Direct conectem-se diretamente para a troca de arquivos sem a necessidade de estarem em uma mesma rede) e DLNA. Infelizmente parece haver algum tipo de problema na implementação da função e WiFi Direct do aparelho: após estabelecer a conexão com outro dispositivo com a tecnologia, a opção WiFi Direct deveria estar disponível no menu compartilhar dos arquivos selecionados, contudo a mesma não se faz presente sendo impossível utilizar a tecnologia.

O Bluetooth segue o padrão 4.0 e, para a felicidade dos usuários, aparentemente a HTC abandonou o seu driver proprietário: isso significa que o One X é capaz de se conectar com controles e teclados Bluetooth (que utilizam o serviço HID / Human Interface Device) – algo impossível em modelos anteriores da fabricante.

Configuração do Bluetooth

O NFC (Near Field Communication) também se faz presente, permitindo que o One X interaja com tags NFC e outros dispositivos com a tecnologia. Graças ao Android 4.0, é possível utilizar a funcionalidade Android Beam: basta aproximar a outro Android com NFC para transferir sites, contatos ou vídeos do YouTube que estejam sendo visualizados no momento – como mostrado no vídeo abaixo:

 

GPS

O GPS integrado do One X se demonstrou bastante rápido tanto em seu hotstart (quando o GPS já possui os parâmetros corretos dos satélites e já inicia estabelecendo a conexão direta), quanto no warm start (em que o GPS já inicia com alguns parâmetros de posicionamento dos satélites facilitando suas localizações) e no cold start (em que ele inicia, localiza os satélites, estabelece conexão e realiza a triangulação). Apesar de não haver precisão nos testes realizados, em geral o One X levou menos de 15 segundos para realizar a triangulação e satélites.

A HTC parece ter abandonado de vez os aplicativos proprietários de navegação GPS presentes em versões anteriores: por padrão utiliza a navegação pelo Google Maps que, apesar de bastante atual e precisa, requer uma conexão ativa com a Internet.

 

Bateria e Autonomia

O HTC One X é o primeiro smartphone a levar a marca da fabricante e não possuir uma bateria removível. São 1.800 mAh de capacidade cuja autonomia tende a variar (e bastante) conforme os hábitos de seu portador.

A autonomia não chega a ser totalmente animadora: em standby, conectado permanentemente a uma rede WiFi com sincronismo de dados a cada 15 minutos, 3 contas de Gmail configurados em modo push, GPS ligado, e tendo realizado a atualização automática de 16 aplicativos do Google Play, foram necessárias 16 horas para que a bateria chegasse em níveis críticos (abaixo de 5%). Já em um dia de uso regular (com 30 minutos de conversação, conexão 3G por cerca de 1,5 horas, WiFi e GPS ligados, Gmail em modo push, sincronismo de e-mails e feeds a cada 30 minutos, operação por cerca de 20 a 30 minutos), sua autonomia caiu para aproximadamente 9 horas.

Uso da Bateria

Utilizar ao máximo o processador Tegra 3 é garantia que este tempo reduza ainda mais:  menos de 10 minutos jogando Shadowgun THD foram suficientes para que o marcador de carga caísse aproximadamente 5%.

Pelo pouco tempo de uso do aparelho não foi possível realizar testes mais precisos.

A recarrega da bateria a 15% com o carregador original (5V e  1A) tomou cerca de 3 horas com o aparelho na tomada.

 

 Opinião do Seidi

Há anos atrás eu era usuário de um smartphone Windows Mobile HTC Touch Diamond 2 que, após um ano de uso, troquei pelo também Windows Mobile HTC HD2. Lembro-me de estar tão excitado com o “novo brinquedo” que não esperei pôr os pés em casa: abri a caixa do aparelho na garagem. Foi um choque olhar para aquele smartphone de dimensões monstruosas e construção incrível. Maior choque ainda foi ligá-lo e ter o brilho das 4,3 polegadas “explodindo na minha cara” em plena noite. Foi um daqueles “momentos geeks” maravilhosos – se é que vocês me entendem.

Não tive esse mesmo “êxtase” com nenhum outro aparelho que passou posteriormente pela minha mão: nem meu Samsung Galaxy S, nem o meu HTC Desire HD… nada. O HD2 foi sim um clássico que olho com certo saudosismo: destacou-se por ser diferente e inovador, marcando a entrada dos smartphones no mundo das telas capacitivas maiores que 4”, câmeras de 8 megapixels e um “bom punhado de RAM”.

Se com o One X o impacto não foi tão grande, posso dizer que foi quase.  Antes mesmo de ligá-lo, perdi alguns bons instantes contemplando-o de todos os ângulos, analisando seus detalhes e “degustando”suas linhas como alguém degusta que experimenta um delicioso e novo prato em um bistrô. Finalmente entendi o que os sites internacionais especializados tentaram transmitir em suas críticas: se você é entusiasta do design, poderá perder alguns minutos apenas admirando a precisão dos minúsculos orifícios em seu corpo de policarbonato (e eu falo sério!).

Cada canto do smartphone parece ter sido meticulosamente pensado: as linhas laterais ligeiramente curvadas que contrastam com o Gorilla Glass de fundo preto; o encaixe perfeito dos botões, a borda brilhante/polida que limita as faces foscas (frontais e traseira); o suave cone de alumínio que possui uma borda cromada (e chanfrada) envolvendo a lente da câmera de 8mpx. Até mesmo a forma como o pequeno LED Flash foi inserido parece estratégica “quebrando” o pequeno círculo metálico na parte posterior do aparelho.

Manusear esta belíssima peça fez com que os meus temores em abandonar o alumínio (meu smartphone anterior era um HTC Desire HD) em prol do policarbonato , acabassem: mesmo com a sensação de “plástico” em mãos, sua leveza e impecável construção fez-me lembrar as razões pela qual a HTC é tão respeitada desde a época do Compaq iPaq 3670 (projetado pela fabricante).

Não há dúvidas: é um belíssimo smartphone!

Toda minha euforia recebeu um “novo boom” quando liguei a tela de 4,7 polegadas: a qualidade de imagem da Super LCD2 IPS é simplesmente fantástica! Cores vivas, brilho intenso e visibilidade mesmo sob a luz do sol. Cansei de incomodar meu sócio dizendo “cara, olha o ângulo de visão disso!” Praticamente a 180° ainda é possível ler claramente as legendas dos ícones na home do Android.

Embora sua densidade de pixels (312dpi) seja menos que a do iPhone 4S (330dpi), acreditem: acima de 300dpi a diferença não é perceptível! O fato do One X utilizar uma matriz RGB é uma vantagem: a imagem é clara e as bordas suaves – não havendo o esmaecimento encontrado nas telas que utilizam o padrão PenTitle. Infelizmente toda essa tecnologia e qualidade tem um preço: a Super LCD2 será responsável, sozinha, por consumir em média mais de 40% da carga da bateria.

E como o One X possui botões capacitivos ele economiza alguns bons pixels que seriam ocupados pela faixa de botões nativos do Android Ice Cream Sandwich (existente no Samsung Galaxy Nexus), certo? Não. Apenas em parte. Embora na visualização de fotos, filmes e navegador seja possível aproveitar toda a extensão da tela (e ter os três botões de operação sempre à mão), em praticamente todos os programas o usuário irá ver uma incômoda faixa preta com um botão menu – muitas vezes imprestável.

Quanto à câmera tão elogiada pela HTC fui obrigado a ficar com o pé atrás. Não me entendam mal: ela é muito boa… mas podia ser melhor! Há bastante ruído/noise nas fotos e muitas aberrações cromáticas. Ainda assim, se você partir do princípio de que ela é “uma câmera de celular”, seu desempenho ficará claramente acima da média. Agora, dizer que ela é melhor que a do iPhone 4S… isso eu duvido bastante.

Considerando que é o One X utiliza um processador quadcore, não dá para entender por que ela grava vídeos full HD (1080p) somente a 23 ~24 frames por segundo (enquanto seus concorrentes gravam a 30 fps). Levanto duas hipóteses: evitar um consumo excessivo de bateria ou, principalmente, diminuir o tamanho dos arquivos de vídeo na limitada memória do aparelho. Particularmente acredito que esta restrição seja apenas de software e espero sinceramente que a HTC altere (ou ao menos dê a opção ao usuário de configurar via interface) essa opção.

Felizmente toda a propaganda feita ao tempo de foco e de acionamento da câmera trazidas pelo Image Sense é verdade e a sensação de que você não perderá mais nenhuma foto é algo bastante confortante.

Particularmente eu sempre gostei da HTC Sense. Gosto da maneira como ela busca homogeneidade gráfica e suas funcionalidades agregadas. Gosto de pegar meu aparelho tocando em cima da mesa e o perceber que ele automaticamente diminui o volume do ringtone. Gosto de poder adicionar notas diretamente aos eventos do Calendário e as ter sincronizadas com o Evernote. Mas é claro que não sou maluco em dizer que a Sense é perfeita ou que ela é melhor a das interfaces existentes. Isso é discutir política ou time de futebol – cada um tem seu gosto. A versão 4.0 está visivelmente mais rápida e estável que a 3.x, mas exige certa curva de aprendizagem de seus usuários tanto pelas mudanças trazidas pelo Android ICS quanto pelos posicionamentos de menus.

O que realmente me incomoda no One X é a memória: 26GB acessíveis dos 32GB disponíveis, significa ter menos memória que smartphones de gerações anteriores (como o meu HTC Desire HD com 1,5GB nativos e um cartão 32Gb classe 10). Não me incomodaria em ter o aparelho 1 milímetro mais grosso se eu pudesse encaixar um cartão microSD. Não poder expandir a  memória do aparelho parece-me realmente um amargo retrocesso.

Não considero a bateria de 1.800 uma evolução em relação aos modelos anteriores (que já atingiam 1.730 mAh). Na verdade parece mais uma necessidade visto que o processador NVidia Tegra 3 por vezes age de maneira um tanto “gulosa” no que diz respeito à energia.

Ainda assim a escolha do processador da NVidia (no lugar do Qualcomm Snapdragon S4 do modelo “global”) parece acertada: considerando o atual contexto, há mais jogos e aplicativos produzidos utilizando as instruções específicas do Tegra 3 (melhorando qualidade e desempenho gráficos ) que para outros chips (leia-se: Snapdragon, OMAP e Exynous). As diferenças em versões de jogos como Shadowgun chegam a ser grandes.

Também não me incomoda ter a bateria fixa: eu costumava carregar em minhas viagens 2 baterias extras em meu aposentado Galaxy S, mas praticamente as deixei de lado quando passei a utilizar baterias externas portáteis – que considero mais prático que desligar o aparelho, trocar a bateria e liga-lo novamente.

E quanto ao suposto método de gerenciamento (falho) de memória da HTC, bem, na prática ainda não senti nenhum problema que eu pudesse atribuir a ele.

Se o desempenho geral do One X não chega a ser perfeito, acredito que seja uma mera questão de tempo: o hardware aparenta ser impecável restando otimizações e ajustes mais finos ao software, que espero receber em um futuro não muito distante em atualizações Over the Air (OTA).

A grande pergunta que fica no ar é: este smatphone é “the one you’ve waited for”? – aquele um que você estava esperando?

Infelizmente a minha resposta é um imparcial “talvez”.

Se esta pergunta me fosse feita há um mês atrás, quando o HTC One X foi homologado pela Anatel, eu responderia: “feche os olhos e compre!”

Há um mês tínhamos uma situação completamente diferente. O One X que foi concebido para competir diretamente com a série Galaxy da Samsung tinha apenas como concorrentes diretos o muito bom mas já defasado Samsung Galaxy S II e o “Google Phone” Samsung Galaxy X. Porém, estamos às vésperas de receber o Samsung Galaxy S III que, apesar de (na minha opinião) trazer um design de gosto um tanto duvidoso, apresenta especificações técnicas no mínimo equivalentes ao One X… no mínimo! Com a possibilidade de expansão de seus 16GB de memória interna através de cartões micros e bateria de 2.100 mAh removível (embora uma maior capacidade não significa necessariamente maior autonomia) e preço um tanto agressivo (cerca de R$ 1.900,00 no lançamento), o Galaxy S III parece uma compra “mais racional”.

Assim como na vida, nem tudo é pura racionalidade. Eu por exemplo fui mais “emocional” e adquiri um HTC One X… branco! Pesaram na decisão: o design (tenho de olhar para o aparelho várias vezes ao dia e não quero ficar pensando que “ele poderia ser mais bonito”), o apreço pela marca que me acompanha há anos, gosto pela interface HTC Sense e a inegável certeza de encontrar uma qualidade singular na construção do aparelho.

Por fim a escolha é própria. Questão de gosto pessoal. É como entrar em uma loja de carros importados e ter de escolher entre uma Ferrari e um Lamborghini. Eu prefiro um Lamborghini… branco!